Divulgados dados de sobrevida global do estudo de fase III EMBRACA

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Talazoparibe não demonstrou benefício de SG em pacientes com câncer de mama HER2 negativo avançado/metastático, que apresentam mutações germinativas nos genes BRCA1/2 (gBRCAm)

Confira abaixo os comentários da Dra. Débora Gagliato, oncologista clínica da Beneficência Portuguesa de São Paulo, sobre o estudo EMBRACA apresentado na AACR 2020:

Os resultados de sobrevida global (SG) do estudo EMBRACA foram apresentados hoje pela Dra Jennifer K. Litton, da Universidade do Texas – MD Anderson Cancer Center, durante a apresentação virtual do AACR (American Association for Clinical Research). O estudo não demonstrou um benefício estatisticamente significativo de SG em pacientes com câncer de mama HER2 negativo avançado/metastático, que apresentam mutações germinativas nos genes BRCA1/2 (gBRCAm).

EMBRACA é um estudo de fase III, aberto e randomizado, que avaliou talazoparibe (TALA), um inibidor de poli ADP-ribose polimerase (iPARP), versus tratamento escolhido pelo médico (TEM) para terapia de agente único com capecitabina, eribulina, gencitabina ou vinorelbina.

Os resultados de sobrevida livre de progressão (SLP) foram divulgados previamente no New England Journal of Medicine, demonstrando um aumento de SLP de talazoparibe vs quimioterapia (8,6 meses vs 5,6 meses, respectivamente), levando à aprovação da medicação pelo FDA americano (US Food and Drug Administration) em outubro de 2018.

O estudo envolveu 431 pacientes com câncer de mama avançado/metastático com gBRCAm. Pacientes com doença HER2 positiva foram excluídas. As pacientes receberam até 3 quimioterapias anteriores, incluindo terapias à base de platina. As participantes foram randomizadas 2:1 para receber talazoparibe (n=287) ou quimioterapia com agente único (n=144) de acordo com o TEM. 54% das participantes tinham doença com receptor hormonal positivo e 46% tinham câncer de mama triplo negativo; as mutações BRCA1 e BRCA2 foram divididas em 45% e 55%, respectivamente.

Os dados de SG basearam-se na população com intenção de tratar após 324 mortes ocorridas. Depois de um seguimento médio de 44,9 meses para o talazoparibe e 36,8 meses para a quimioterapia, morreram 216 pacientes no grupo talazoparibe e 108 pacientes no grupo quimioterapia. O efeito do tratamento com talazoparibe também foi semelhante, independentemente do status BRCA.

Quase metade das pacientes no grupo talazoparibe (48,4%) receberam um iPARP subsequente ou terapia com platina em comparação a 59,7% das pacientes no grupo quimioterapia. Ao analisar especificamente os iPARP, aproximadamente um terço das pacientes no grupo de quimioterapia recebeu um iPARP subsequente, que se tornou cada vez mais disponível para as pacientes por meio de ensaios ou comercialmente durante o curso do EMBRACA, em comparação a apenas 4,5% das pacientes que receberam talazoparibe.

A terapia subsequente com platina foi administrada em cerca de 46% das pacientes no grupo talazoparibe, em comparação a aproximadamente 42% dos pacientes no grupo quimioterapia. Segundo os autores, a interpretação dos resultados de SG pode ter sido confundida pelos tratamentos subsequentes.

As medidas de qualidade de vida relatadas pelas pacientes revelaram um tempo prolongado para a deterioração geral da saúde (26,3 meses para talazoparibe vs 6,7 meses para quimioterapia).

Eventos adversos hematológicos (EAs) de grau 3-4 ocorreram em 56,6% dos pacientes que receberam talazoparibe e 38,9% daqueles em quimioterapia. A maioria dos EAs de grau 3-4 relatados no grupo talazoparibe eram hematológicos e a maioria foi gerenciada com sucesso por cuidados de suporte e modificações de dose. O EA hematológico mais comum em pacientes que receberam talazoparibe foi anemia (54,9%).

Em suma, a maioria das pacientes incluídas no estudo passou a receber terapias sistêmicas subsequentes, o que pode ter afetado a análise do resultado da sobrevida. O talazoparibe continua sendo uma opção para pacientes com câncer de mama avançado HER2 negativo que apresentam gBRCAm, considerando o ganho de SLP previamente divulgados. O estudo confirmou que o talazoparibe melhorou as medidas de qualidade de vida relatadas pelas pacientes em relação às quimioterapias disponíveis, apresentando um perfil de segurança tolerável.

 

Referência:
Litton JK, Rugo HS, Ettl J, Hurvitz SA, Gonçalves A, Lee KH, Fehrenbacher L, Yerushalmi R, Mina LA, Martin M, Roché H. Talazoparib in patients with advanced breast cancer and a germline BRCA mutation. New England Journal of Medicine. 2018 Aug 23;379(8):753-63.

 

 

 

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