Administração subcutânea do anticorpo biespecífico anti-CD3/CD20, epcoritamabe, demonstra boa performance no tratamento de linfoma de grandes células B recidivado/refratário

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O uso de epcoritamabe em pacientes com linfoma de grandes células B (LBCL) demonstrou alta taxa de resposta global atrelada a uma resposta duradoura e com bom perfil de tolerabilidade

 

Linfoma Difuso de grandes células B (DLBCL) compreende um dos tipos de tumores não-Hodgkin mais comuns e com perfil altamente agressivo dado seu rápido crescimento. O tratamento desse tipo tumoral hematológico é clinicamente um desafio, dada às poucas opções de tratamento, especialmente nos casos de doença em recidiva ou refratárias. Mesmo diante de tantos avanços em estratégias quimioterápicas e imunoterápicas, novas propostas terapêuticas estão em desenvolvimento para garantir boa tolerância e respostas sustentadas¹.  

Nesse cenário, foram pensadas estratégias visando melhorar a abordagem envolvendo terapia CAR-T, dentre elas o desenvolvimento de agentes biespecíficos capazes de atuarem tanto em linfócitos T quanto em células tumorais. Portanto, o epcoritamabe trata-se de um anticorpo IgG1 biespecífico anti-CD3 e anti-CD20 (CD3/CD20) desenvolvido utilizando a metodologia de DuoBody que permite maior meia-vida desses anticorpos no plasma além de evitar funções efetoras mediadas pela porção Fc da molécula, reduzindo efeitos inespecíficos. Esse fármaco administrado por via subcutânea já demonstrara potente atividade antitumoral em linfomas não-Hodgkin tanto individualmente quanto associado a outros agentes¹. 

O estudo EPCORE NHL-1, portanto, compreende um estudo clínico de fase II multicêntrico e de protocolo aberto cujo principal objetivo é avaliar a segurança e eficácia de epcoritamabe em pacientes com LBCL ou DLBCL reincidente, progressivo ou resistente. Foram incluídos 157 pacientes com DLBCL, linfoma de células B de alto grau, LBCL mediastinal ou linfoma folicular que receberam epcoritamabe (1ml subcutâneo) em ciclos de 28 dias com escalonamento de dose até que houvesse progressão da doença ou toxicidades inaceitáveis. 

Caracterizando a coorte, a mediana de idade do estudo foi de 64 anos (min-max: 20-83) sendo 49% dos pacientes acima dos 65 anos e 18,5% acima dos 75. Com relação aos tratamentos prévios, a mediana de linhas anteriores ao epcoritamabe foi de 3 (2-11) sendo que 38,9% receberam CAR-T previamente e 19,7% receberam transplante autólogo de células tronco. Da coorte, 61% possuíam doença refratária primária e 83% foram refratários à ultima linha de tratamento recebida. 

Para avaliação de eficácia, a mediana de follow-up foi de 10,7 meses com uma taxa de resposta global (ORR) avaliada por PET-CT de 63% com 39% atingindo resposta completa (RC), sendo a fração ORR/RC de 69%/42% em pacientes CAR-T naive e 54%/34% naqueles que já receberam CAR-T previamente. Com relação ao tempo de duração de resposta, a mediana foi de 12 meses enquanto naqueles pacientes com RC a mediana não foi atingida uma vez que 89% deles sustentaram resposta completa até o 9° mês. A taxa de resposta global foi similar em todos os subgrupos do estudo. 

Dentre as toxicidades emergentes durante o tratamento (TEAEs) a mais comum independente do grau foi a síndrome de liberação de citocinas (CTS: 49,7% dos pacientes). Da coorte total, 7,6% (n=12) dos pacientes interromperam o tratamento em decorrência de TEAEs, sendo que 3 foram associadas à proposta terapêutica. A incidência de CTS foi majoritariamente em graus leves (G1: 31,8% e G2: 15,3%) sendo que 2,5% desenvolveram toxicidade grave. Os TEAEs ocorreram principalmente após a 1ª dose e a mediana onset das toxicidades foi de 20h após a injeção subcutânea com mediana de resolução de 48h sendo o tratamento para esses casos em 14% dos pacientes o uso de tocilizumabe (neutralizante de IL-6). 

Os resultados de fase II apresentados na EHA 2022 demonstram que o uso de epcoritamabe em administração subcutânea é capaz de oferecer uma alta eficácia, sustentada por ORR e boa duração de resposta em pacientes com LBCL, especialmente naqueles que não experienciaram tratamento prévio com outros CAR-T. Atrelado à eficácia, o anticorpo anti-CD3/CD20 demonstrou boa segurança dada as toxicidades brandas e manejáveis clinicamente, além de poucas taxas de descontinuação. 

 

Referência:  

  1. Hutchings M, Mous R, Clausen MR, Johnson P, Linton KM, Chamuleau MED, Lewis DJ, Sureda Balari A, Cunningham D, Oliveri RS, Elliott B, DeMarco D, Azaryan A, Chiu C, Li T, Chen KM, Ahmadi T, Lugtenburg PJ. Dose escalation of subcutaneous epcoritamab in patients with relapsed or refractory B-cell non-Hodgkin lymphoma: an open-label, phase 1/2 study. Lancet. 2021 Sep 25;398(10306):1157-1169. doi: 10.1016/S0140-6736(21)00889-8. Epub 2021 Sep 8. PMID: 34508654. 
  2. Catherine Thieblemon et al. Primary results of subcutaneous Epcoritamab dose expansion in patients with relapsed or refractory large B-cell Lymphoma: A phase 2 study. EHA 2022 
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