Análise agrupada de dados de diferentes ensaios clínicos com acalabrutinibe em pacientes com LLC

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Neste vídeo, Dr. Eduardo Flavio Ribeiro, médico hematologista do Hospital Santa Lúcia – Brasília, apresenta um estudo que trouxe dados da avaliação de quatro anos de terapias baseadas em acalabrutinibe para o tratamento de pacientes com leucemia linfocítica crônica com características genômicas de alto risco, demonstrando sua eficácia em indivíduos com diferentes desordens genéticas, vale a pena assistir e conferir o conteúdo completo

 

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) apresenta um curso muito variável. Pacientes com características genômicas de alto risco geralmente apresentam respostas desfavoráveis à imuno-quimioterapia, enquanto pacientes com a característica del(17p) (a deleção do braço curto do cromossomo 17), também apresentam respostas piores e insatisfatórias ao tratamento com venetoclax + obinutuzumabe (O). Agentes como os Inibidores de Tirosina Quinase de Burton (BTKi), incluindo o BTKi covalente de alta seletividade acalabrutinibe (A), são tratamentos de preferência nessa população de alto risco, de acordo com dados de efetividade em subgrupos de alto risco em estudos individuais. Neste estudo avaliou-se a eficácia de longo prazo dos regimes baseados em A em pacientes com CLL com características de alto risco virgens de tratamento (TN), ou recidivados/refratários (R/R). 

Sendo assim, os dados de três ensaios clínicos distintos de pacientes tratados com A, ou A + O foram reunidos. O alto risco foi definido pela presença de del(17p) e/ou mutação TP53 (del(17p)/TP53m), gene das Regiões Variáveis das Cadeias Pesadas de Imunoglobulinas não-mutado (uIGHV), ou Cariótipo Complexo (CK), caso o indivíduo apresentasse três ou mais anomalias cromossomais. A análise de eficácia consistiu na avaliação da Sobrevida Livre de Progressão (SLP), Sobrevida Global (SG), e taxas de resposta, cujos focos foram pacientes com del(p17)/TP53m e uIGHV. Já a análise de segurança também incluiu pacientes com CK. 

Incluiu-se um total de 801 pacientes, sendo 313 TN e 488 R/R, com mediana de duas terapias prévias (intervalo de uma a dez terapias). Dos pacientes avaliados, 64 (20%) dos TN e 219 (45%) dos R/R apresentaram del(17p)/TP53m, dos quais 44 (69%) e 170 (78%) também apresentavam uIGHV. No geral, 288 (92%) dos pacientes TN e 425 (87%) dos R/R tinham uIGHV e 47 (15%) e 160 (33%) apresentavam CK.  

A mediana de idade foi de 68 no grupo TN e 66 no R/R. Para regimes A + O, a taxa de resposta global (ORR) foi de 91% (58 de 64 indivíduos), sendo a resposta completa (RC) observada em 20% (13 de 64) em pacientes TN com del(17p)/TP53m. Em pacientes TN com uIGHV, a ORR foi de 96% (276 de 288) enquanto a RC foi de 16% (47 de 288). Em 47,3 meses de acompanhamento mediano (intervalo de 1 a 82 meses), a SLP mediana não foi alcançada em pacientes TN com del(17p)/TP53m tratados com terapias baseadas em acalabrutinibe. A SLP em 48 meses sugere eficácias similares com A e A + O em pacientes TN com del(17p)/TP53m (76% e 77%, respectivamente). A SLP mediana não foi alcançada em pacientes TN com uIGHV com ambos A e A + O. Já a SLP em 48 meses para A e A + O foi de 84% e 86%, respectivamente. A SG mediana não foi atingida com A ou A + O em pacientes com del(17p)/TP53m ou uIGHV, enquanto as taxas de sobrevida global em 48 meses foram similares para A e A + O tanto em pacientes com del(17p)/TP53m (89% para ambos os casos) quanto em pacientes com uIGHV (92% e 95% dos casos, respectivamente).  

Na coorte R/R, que recebeu monoterapia com A, a ORR foi de 86% (184 de 214 pacientes), com RC de 5% (11 de 214) em pacientes com del(17p)/TP53m e de 87% (356 de 408) com RC de 7% (29 de 408) em pacientes com uIGHV. Em 44 meses de acompanhamento mediano (intervalo de 0 a 88 meses), a SLP mediana foi de 38,6 meses e 49,6 meses, respectivamente. Já no acompanhamento de 36 meses, a SLP foi de 54% e 65% em pacientes com del(17p)/TP53m e uIGHV, respectivamente. A SG mediana foi de 60,6 meses em pacientes com del(17p)/TP53m e não foi atingida naqueles que apresentavam uIGHV. A SG em 36 meses foi de 73% e 82%, respectivamente. 

Entre todos os pacientes de alto risco, a incidência de eventos adversos de graus três ou maior foi de 30% nos TN e 35% nos R/R. A interrupção do tratamento devido aos eventos adversos ocorreu em 4% dos pacientes TN e 6% dos R/R. Um total de 60% de indivíduos TN e 27% R/R permanecia no tratamento até o momento de avaliação. 

Nessa análise de dados agrupados de ensaios clínicos com 801 pacientes com LLC que apresentavam características genômicas de alto risco, a eficácia de regimes baseados em A levou a uma maior SLP e SG num tempo de acompanhamento mediano de quase quatro anos. O perfil de segurança nessa análise foi similar ao perfil de segurança geral do acalabrutinibe. Os resultados demonstram o benefício em longo prazo de regimes baseados em A para pacientes com LLC com características genômicas de alto risco, independentemente da linha de terapia. 

No vídeo, o especialista apresenta de forma detalhada os principais resultados abordando os possíveis impactos na prática clínica. Vale a pena assistir e conferir o conteúdo completo!  

 

Referências:

Davids et. al. LONG-TERM EFFICACY OF ACALABRUTINIB-BASED REGIMENS IN PATIENTS WITH CHRONIC LYMPHOCYTIC LEUKEMIA AND HIGHER-RISK GENOMIC FEATURES: POOLED ANALYSIS OF CLINICAL TRIAL DATA. European Hematologic Association Congress, 2022.  EHA Library. S Davids M. 06/10/22; 357530; P667.  

Informações dos ensaios clínicos: ELEVATE-TN (NCT02475681), dados das coortes CL-001 (TN) e CL-003; ASCEND (NCT02970318); e ELEVATE-RR (NCT02477696), dados da coorte CL-001 (R/R). 

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