Anvisa aprova lorlatinibe para pacientes com CPNPC avançado ALK-positivo em 1ª linha de tratamento

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A aprovação pela agência brasileira baseia-se nos dados de superioridade do lorlatinibe versus crizotinibe, segundo o estudo CROWN

O câncer de pulmão é a primeira causa de morte relacionada ao câncer em todo o mundo. O câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) é responsável por aproximadamente 80 a 85% dos cânceres de pulmão, sendo que os ALK-positivos ocorrem em cerca de 3 a 5% dos casos. O surgimento de novas alternativas de tratamento são um avanço cada vez maior para o tratamento dessa enfermidade.

Em 21 de junho de 2021, o uso de lorlatinibe foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para tratamento em 1ª linha do CPNPC metastático com rearranjo em ALK.

Lorlatinibe é um inibidor de terceira geração do ALK, apresentando atividade antitumoral comprovada em pacientes com CPNPC positivo para ALK que foram expostos a tratamentos anteriores. Porém, a eficácia, quando administrado na 1ª linha de tratamento, foi demonstrada no estudo CROWN (NCT03052608), apresentado no Congresso Anual da ESMO 2020 e posteriormente publicado no The New England Journal of Medicine em novembro do mesmo ano. Em 3 de março de 2021, o FDA (Food and Drug Administration) americano concedeu aprovação regular ao lorlatinibe em 1ª linha de tratamento para pacientes CPNPC cujos tumores são ALK-positivo. O lorlatinibe havia recebido pela mesma agência a aprovação acelerada em novembro de 2018 para o tratamento de segunda linha ou posteriores de CPNPC metastático ALK-positivo.

A recente aprovação pela agência brasileira baseia-se nos dados do CROWN, um ensaio clínico randomizado, multicêntrico, aberto e controlado, que recrutou 296 pacientes com CPNPC metastático ALK-positivo que não receberam terapia sistêmica anterior para doença metastática. Os pacientes foram randomizados 1:1 para receber lorlatinibe 100mg por via oral uma vez ao dia (n = 149) ou crizotinibe 250mg por via oral duas vezes ao dia (n = 147).

Houve melhora na sobrevida livre de progressão (SLP) avaliada pela revisão central independente cega (BICR), com um hazard ratio de 0,28 (IC 95%: 0,19-0,41; p < 0,0001). A SLP mediana não foi estimável no braço do lorlatinibe versus 9,3 meses (IC 95%: 7,6-11,1) para aqueles tratados com crizotinibe.

Os dados de sobrevida global são imaturos, entretanto, a porcentagem de mortes nos grupos lorlatinibe e crizotinibe foram de 15% versus 19%, respectivamente, segundo a análise na população por intenção de tratar, da data de cutoff. Hazard ratio para morte foi de 0,72 (IC 95%: 0,41-1,25) e a diferença entre os grupos não foi estatisticamente significativa para a sobrevida global nessa análise preliminar.

O envolvimento do sistema nervoso central (SNC) foi avaliado em todos os pacientes. Havia 17 participantes no braço lorlatinibe e 13 no braço crizotinibe com lesões mensuráveis em SNC, com base em imagens no início do estudo. Entre esses pacientes, a taxa de resposta objetiva intracraniana, conforme avaliada por BICR, foi de 82% (IC 95%: 57-96) para lorlatinibe e 23% (IC 95%: 5, 54) para crizotinibe. Dos pacientes que receberam lorlatinibe, 71% apresentaram resposta completa intracraniana. A duração da resposta intracraniana ≥ 12 meses ocorreu em 79% e 0% dos pacientes, respectivamente.

As reações adversas mais comuns (incidência ≥ 20%) em pacientes recebendo lorlatinibe, incluindo anormalidades laboratoriais de grau 3-4, foram edema, neuropatia periférica, ganho de peso, alterações cognitivas, fadiga, alterações do humor, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia.

Diante dessa análise interina, os autores concluíram que os pacientes com CPNPC avançado, ALK-positivo e previamente não tratados que receberam lorlatinibe em 1ª linha, apresentaram uma mediana de SLP significativamente mais longa e uma maior taxa de resposta intracraniana em relação àqueles que receberam crizotinibe. Os benefícios de eficácia acima apresentados levaram a Anvisa, portanto, a aprovar o uso do medicamento para essa indicação.

Referências:

  1. Chia P, et al. Prevalence and natural history of ALK positive non-small-cell lung cancer and the clinical impact of targeted therapy with ALK inhibitors. Clin Epidemiol. 2014; 6: 423–432.
  2. Solomon B, et al. Lorlatinib vs Crizotinib in the First-line Treatment of Patients (pts) with Advanced ALK-Positive Non-Small Cell Lung Cancer (NSCLC): Results of the Phase 3 CROWN Study. Presentation ID LBA2. ESMO 2020.
  3. Shaw AT, et al. First-line lorlatinib or crizotinib in advanced ALK-positive lung cancer. New England Journal of Medicine. 383.21 (2020): 2018-2029.
  4. https://www.fda.gov/drugs/drug-approvals-and-databases/fda-approves-lorlatinib-metastatic-alk-positive-nsclc
  5. Bula do medicamento Lorbrena® (lorlatinibe) registrado na ANVISA.

 

PP-LOR-BRA-0079. Julho/2021.

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