Benefício do uso de trastuzumabe para pacientes portadoras de câncer de mama com hiperexpressão de HER2

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Metanálise, utilizando dados de 13.864 pacientes, confirma redução da ordem de 30% no risco de recorrência de doença e da mortalidade câncer-específica

Trastuzumabe é um anticorpo monoclonal que tem como alvo o domínio extracelular da proteína HER2, e seu uso é incorporado de forma rotineira no tratamento dos tumores de mama que apresentam alta expressão dessa proteína.  Diversos estudos clínicos randomizados (ECRs) confirmaram que a adição de trastuzumabe à quimioterapia para pacientes com câncer de mama HER2-hiperexpresso em estádio precoce diminui o risco de recorrência de doença e de morte. 

Para uma melhor avaliação dos benefícios do uso de trastuzumabe no cenário adjuvante, uma metanálise publicada no The Lancet compilou dados de 13.864 pacientes incluídas em 7 ECRs que avaliavam benefício da adição de trastuzumabe a quimioterapia adjuvante entre fevereiro de 2000 e dezembro de 2005. Pacientes elegíveis deveriam ter tumores operáveis ao diagnóstico, sendo o status linfonodal positivo ou negativo. Foram coletadas informações sobre datas e sítios de recorrência de doença, fosse ela uma recorrência local, à distância ou surgimento de novo tumor primário. Data e motivo de óbito também foram avaliados. Os desfechos primários do estudo eram risco de recorrência de doença (RRD), mortalidade câncer-específica (MCE), taxa de morte sem recorrência (MSR) e mortalidade por todas as causas (MTC). Análises de sobrevida foram realizadas por intenção de tratar, usando o teste estatístico log-rank. 

 O tempo mediano de duração de tratamento foi de 14,4 meses e o tempo de seguimento mediano de 10,7 anos. O RRD e a MCE foram menores para as pacientes que receberam trastuzumabe combinado a quimioterapia em relação àquelas que receberam quimioterapia isolada (HR 0,66; IC 95% 0,62 – 0,71; p<0·0001 e HR 0,67; IC95% 0,61 – 0,73; p<0·0001 respectivamente). Em termos absolutos, houve uma redução de 9,0% no RRD (IC95% 7,4 – 10,7; p<0·0001), de 6,4% (IC95% 4,9 – 7,8; p<0·0001) na MCE e de 6,5% (5,0 – 8,0; p<0·0001) na MTC com o uso de trastuzumabe. Não houve aumento ou redução na MSR (p=0·35) com o uso da medicação.  

A redução do RRD foi mais evidente no primeiro ano após a randomização (HR 0,53), com benefício persistindo entre 2 a 4 anos (HR 0,73) e, 5 a 9 anos (HR 0,80) porém com menor magnitude. Poucos pacientes tinham seguimento de mais de 10 anos para garantir uma análise adequada desse espaço de tempo. Ainda sobre a redução do RRD, essa foi proporcional ao risco de recorrência inicial do tumor, definido basicamente pelo status nodal. Tumores com estadiamento linfonodal N0, N1–3 e N4 apresentaram reduções no RRD em 5 anos de 5,7%, 6,8% e 10,7% respectivamente. Em termos de receptores hormonais, o uso de trastuzumabe produziu uma diminuição similar no RRD para pacientes com RE-negativo e RE-positivo. No entanto, era esperado que o RRD precoce (nos anos 0 a 4) fosse maior nos tumores com perfil molecular HER2-hiperexpresso RE-negativo do que para os tumores HER2-hiperexpresso RE-positivo que, por sua vez, apresentam habitualmente padrão de recorrência tardia (nos anos 5 a 9), mesmo com a indicação de tratamento hormonal por pelo menos 5 anos para o segundo grupo.  

Como conclusão, os achados dessa metanálise confirmam que o uso de trastuzumabe adjuvante quando comparado a quimioterapia reduz em aproximadamente um terço o RRD e a MCE para pacientes com tumores de mama com HER2-hiperexpresso e que o benefício do tratamento independe de características clínicas como status linfonodal ou perfil de expressão de RE.  

 

Referências: 

  1. Bradley, Rosie, et al. “Trastuzumabfor early-stage, HER2-positive breast cancer: a meta-analysis of 13 864 women in seven randomised trials.” The Lancet Oncology 22.8 (2021): 1139-1150. 
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