CLAG-M mais gemtuzumabe ozogamicina em adultos com leucemia mieloide aguda recém diagnosticada

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Neste vídeo, Dr. Eduardo RegoMédico Hematologista e Professor Titular da Faculdade de Medicina da USPcomenta sobre o uso do protocolo CLAG-M em pacientes adultos com LMA recém diagnosticada

 

Em um ensaio anterior, unicêntrico, o protocolo CLAG-M (cladribina, citarabina em dose elevada, G-CSF e mitoxantrona escalada em dose) resultou em altas taxas de remissões mensuráveis de doença residual mensurável (DRM) para adultos com LMA não tratada previamente ou neoplasias mieloides de alto grau (HG-MN) com ≥10% de blastos na medula óssea e/ou sangue. O anticorpo anti-CD33 conjugado a droga, gemtuzumabe ozogamicina (GO), reduz a recidiva e melhora a sobrevida quando adicionado a outros regimes de quimioterapia intensiva. Racional que levou a este estudo de fase 1/2 (NCT03531918), no qual a terapia com GO foi combinada ao esquema com CLAG-M como terapia inicial para adultos fit com LMA ou HG-MN recém diagnosticadas. 

Dezoito pacientes (idade mediana de 66 anos [intervalo: 28-77], pontuação de mortalidade relacionada ao tratamento (TRM) mediana de 3,92 [intervalo: 0,14-10,3]) foram tratados na fase 1. A dose chamada de “GO3” foi estabelecida como a dose de fase 2 recomendada, e consistia em 3 mg/m2 nos dias 1, 4, e 7, com todas as doses GO doses limitadas a 4,5 mg. Um total de 60 pacientes (idade mediana; 65 anos [intervalo: 19-80]) com LMA (n = 48) ou HG-MN (n = 12) e uma pontuação TRM mediana de 3,4 (intervalo: 0,02-11,8) foram tratados no GO3 na fase 1 ou na fase 2.  

Pelos critérios ELN 2017, 20 apresentavam doença de risco favorável, 13 intermediário e 27 adverso. Quarenta e seis (77%) alcançaram remissão completa (CR) e 6 (10%) alcançaram recuperação de contagem incompleta (CRi) para uma taxa de CR/CRi de 87% (IC 95%: 75-94%). Quarenta e cinco pacientes CR/CRi apresentaram DRM negativa, para uma taxa global DRMneg CR/CRi de 75% (IC 95%: 62-85%). Dois pacientes apresentavam estado livre de leucemia morfológica (MFLS), 2 foram submetidos a transplante de células-tronco hematopoiéticas (HCT) em aplasia que não atendia aos critérios de MLFS e 4 tinham doença resistente. Com acompanhamento mediano de 15 meses, a sobrevida livre de eventos (SLE) de 6 meses, a SLE de 12 meses, sobrevida global (SG) de 6 meses, e SG de 12 meses foram 73% (IC de 95%: 61-85%), 59% (48 -73%), 90% (83-98%) e 75% (65-89%), respectivamente. Para pacientes que atingiram CR após o ciclo 1 (n = 45), o tempo mediano para a contagem de neutrófilos de 1000/µL e a contagem de plaquetas de 100.000/µL foi de 32 dias (intervalo: 22-51) e 31 dias (intervalo: 21-48), respectivamente. 

Além de infecções e febre neutropênica, hipertensão e hemorragia foram os eventos adversos de grau ≥3 mais comuns. Não houve mortes dentro de 8 semanas do início do estudo. Digno de nota, 1 paciente apresentou lesão hepática precoce reversível que não atendeu aos critérios da síndrome obstrutiva sinusoidal (SOS), e 1/25 (4%) dos pacientes submetidos a HCT alogênico após a terapia do estudo foi diagnosticado com SOS pós-HCT não fatal. 

O protocolo CLAG-M com dose fracionada de GO resultou em uma taxa DRMneg com CR/CRi de 75% e uma taxa de SLE de 6 meses de 73% em adultos com diagnóstico recente de LMA e HG-MN. A comparação formal dos resultados com pacientes institucionais que receberam CLAG-M isolado está em andamento. 

No vídeo, Dr. Eduardo faz uma análise completa dos dados do estudo. Vale a pena assistir e conferir o conteúdo completo! 

Referências: 

34 – Colin D. Godwin, MD et al., A Phase 1/2 Trial of Cladribine, High-Dose Cytarabine, G-CSF, and Dose-Escalated Mitoxantrone (CLAG-M) Plus Gemtuzumab Ozogamicin in Adults with Newly-Diagnosed Acute Myeloid Leukemia (AML) or Other High-Grade Myeloid Neoplasm. Presented at ASH annual meeting.  

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