Dados de vida real consolidam a terapia com durvalumabe após quimiorradioterapia em pacientes com CPNPC

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Neste vídeo, Dr. Helano Freitas, médico oncologista no Hospital A. C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, comenta sobre os dados do estudo de vida real PACIFIC-R, que foi apresentado no ESMO 2021

O estudo clínico PACIFIC, de fase 3, foi publicado pela primeira vez em 2017 e revolucionou o tratamento do câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) localmente avançado, em estadio III. Esta é uma doença de manejo desafiador, por ser agressiva, mas potencialmente curável. A terapia de consolidação com durvalumabe por até 12 meses (regime PACIFIC) agora é o padrão de tratamento para este perfil de pacientes sem progressão da doença após quimiorradioterapia à base de platina (CRT). Neste sentido, o estudo de vida real, PACIFIC-R, avaliou a eficácia do durvalumabe em pacientes com CPNPC localmente avançado em estadio III, em um ambiente da vida real.  

Segundo Dr. Helano, os estudos de mundo real trazem importantes contribuições, permitindo a análise da eficácia e segurança do regime de tratamento em condições de vida real, sem os critérios de inclusão rígidos dos estudos randomizados.  

PACIFIC-R (NCT03798535) é um grande estudo observacional e internacional, que avalia pacientes que receberam 1 ou mais doses de durvalumabe como parte de um programa de acesso expandido ao medicamento. Eram elegíveis pacientes que completaram a quimioterapia à base de platina concomitante ou sequencial à radioterapia nas 12 semanas anteriores, sem evidência de progressão da doença. 

Os desfechos foram avaliados no conjunto de análise completa (N = 1155). O tempo mediano para o início do durvalumabe após o final da radioterapia foi de 52 dias. A duração mediana do tratamento com durvalumabe foi de 337 dias (11 meses); 232 (20,1%) pacientes receberam tratamento por mais de 12 meses (4,3% por > 14 meses).  

A análise interina (51,8% dos eventos) mostrou uma sobrevida livre de progressão mediana do mundo real (SLPmr) de 22,5 meses (IC de 95%, 19,7-25,5). Esses resultados demonstram a eficácia da consolidação de durvalumabe após a CRT em uma coorte do mundo real de pacientes com CPNPC de estágio III irressecável; os eventos adversos de pneumonite foram, principalmente, de gravidade moderada.  

Pneumonite foi o EA mais comum que levou à interrupção (temporária: 5,1%; permanente: 8,7%). A maioria dos eventos adversos foi moderada (8,8%) em gravidade; apenas 2 (0,2%) e 1 (0,1%) pacientes tiveram um evento fatal ou com risco de vida, respectivamente. 

Como conclusão, o PACIFIC-R mostrou dados comparáveis aos dados encontrados no estudo randomizado PACIFIC. Sendo assim, os achados demonstram que podemos ter as mesmas expectativas de resultados na prática clínica diária.  

Assista ao vídeo e confira a análise completa dos dados apresentados pelo Dr. Helano.  

Referências: 

1171MO – PACIFIC-R real-world study: Treatment duration and interim analysis of progression-free survival in unresectable stage III NSCLC patients treated with durvalumab after chemoradiotherapy. Annals of Oncology (2021) 32 (suppl_5): S939-S948. 10.1016/annonc/annonc728. 

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