Eficácia da combinação de ipilimumabe mais anti-PD-1 versus ipilimumabe em monoterapia no melanoma metastático resistente aos anti-PD-(L)1

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A terapia anti-PD-1 pode levar ao controle a longo prazo do melanoma metastático em aproximadamente 30% dos pacientes. No entanto, dois terços são resistentes e precisarão de tratamento adicional. 

Em maio de 2021, foi publicado na The Lancet Oncology um estudo retrospectivo multicêntrico (Austrália, Europa e EUA) que buscou determinar a eficácia e a segurança do ipilimumabe combinado a um anti-PD-1 (pembrolizumabe ou nivolumabe) versus ipilimumabe em monoterapia em pacientes com melanoma avançado (estádio III e IV irressecável) resistentes à terapia anti-PD-(L)1 (inata ou adquirida). 

Os desfechos do estudo foram: taxa de resposta objetiva, sobrevida livre de progressão, sobrevida global e segurança de ipilimumabe em comparação com ipilimumabe combinado ao anti-PD-1. 

 

Resultados: 

Foram incluídos 355 pacientes com melanoma metastático, resistente a anti-PD-(L)1 (nivolumabe, pembrolizumabe ou atezolizumabe), que foram tratados com ipilimumabe em monoterapia (n = 162 [46%]) ou ipilimumabe mais anti-PD-1 (n = 193 [54%]) entre 1º de fevereiro de 2011 e o dia 6 de fevereiro de 2020.  

Em um acompanhamento médio de 22,1 meses, a taxa de resposta objetiva foi maior com ipilimumabe mais anti-PD-1 (31%) do que com ipilimumabe em monoterapia (13%; p < 0,0001). A mediana de sobrevida global foi superior com a combinação (20,4 meses) versus a monoterapia (8,8 meses; HR 0,50; IC 95% 0,38 – 0,66; p < 0,0001) e a mediana de sobrevida livre de progressão foi igual a 3 meses versus 2,6 meses (HR 0,69, IC 95% 0,55 – 0,87; p = 0,0019), respectivamente.  

Proporções semelhantes de pacientes relataram eventos adversos de grau 3 a 5 em ambos os grupos (31% para a combinação versus 33% para a monoterapia com ipilimumabe). Os eventos adversos de grau 3 a 5 mais comuns para ipilimumabe associado a um anti-PD-1 ou anti-CTLA4 sozinho foram colite (12% versus 20%) e aumento da alanina aminotransferase ou aspartato aminotransferase (12% versus 9%). Houve uma morte com ipilimumabe 26 dias após a última infusão como consequência de uma perfuração do cólon secundária à pancolite imunomediada.  

Com esses dados e tendo em vista o desenho retrospectivo do estudo, os pesquisadores sugerem que o ipilimumabe combinado a um anti-PD-1 apresenta maior eficácia do que ipilimumabe em monoterapia na população de indivíduos resistentes a anti-PD-(L)1, demonstrando taxa de resposta objetiva superior, maiores medianas de sobrevida livre de progressão global e taxa semelhante de toxicidade de graus 3 a 5.  

 

Referências:  

Silva IP, et al. “Ipilimumab alone or ipilimumab plus anti-PD-1 therapy in patients with metastatic melanoma resistant to anti-PD-(L)1 monotherapy: a multicentre, retrospective, cohort study.” The Lancet Oncology. May 2021. https://doi.org/10.1016/S1470-2045(21)00097-8 

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