Estatina como fator de proteção para o desenvolvimento de câncer em pacientes com insuficiência cardíaca

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Estudo publicado nEuropean Heart Journal é o maior a investigar possível benefício além do cardiovascular com o uso da estatina 

A literatura indica que pacientes com insuficiência cardíaca (IC) apresentam maior risco para desenvolvimento de câncer, devido a vias inflamatórias ou aspectos genéticos associados à doença, que também podem estar envolvidos no surgimento de neoplasias. No entanto, são poucas as publicações sobre a associação entre o uso de estatina e a redução no risco de morte por câncer em pacientes com IC. Um estudo publicado no European Heart Journal visa avaliar, justamente, o impacto do medicamento na diminuição da probabilidade de desenvolvimento e mortalidade por câncer nesse grupo de indivíduos. 

O estudo observacional não randomizado apresenta uma amostra de 87.000 participantes de Hong Kong. Pacientes com IC, admitidos no hospital entre 2003 e 2015, foram incluídos no estudo e acompanhados para diagnóstico de câncer ou outros desfechos até 2018. Os critérios de exclusão foram histórico ou detecção de câncer dentro dos 90 dias após diagnóstico de IC, morte por câncer dentro de 90 dias após diagnóstico de IC, pacientes soropositivos para HIV ou uso de estatina inferior a 90 dias. Assim, em torno de 36 mil pacientes compuseram o grupo em uso de estatina versus 51 mil no grupo controle. O tempo médio de acompanhamento foi de 4 anos. 

Resultados: 

Um total de 3.863 pacientes (4.4%) morreram de câncer durante o acompanhamento, sendo os mais prevalentes os tumores de intestino, estômago, pulmão, fígado e vias biliares. Quanto à mortalidade por todas as causas, o uso de estatina esteve relacionado a uma redução de 38% após 10 anos de acompanhamento. 

Durante o tempo médio de 4 anos, houve uma redução de 16% no risco de desenvolvimento de câncer entre os pacientes em uso de estatina em comparação ao grupo controle. Além disso, o uso de estatina esteve associado a uma redução do risco de mortalidade por câncer em 26%.  

 

 

No grupo intervenção, o tempo de uso foi analisado como possível fator protetor para maior redução no desenvolvimento de câncer. Após ajuste estatístico por idade, sexo, tabagismo, consumo de álcool e outras comorbidades, o uso de estatina esteve relacionado a uma redução no risco de desenvolvimento de câncer de 18%, após uso por 4 a 6 anos, ou uma redução de 22%, diante do uso por 6 ou mais anos, em comparação com pacientes que utilizaram estatina por até 2 anos. 

Conclusão: 

Os autores concluem que o uso de estatina esteve relacionado a uma redução significativa na mortalidade e na incidência de câncer em pacientes com insuficiência cardíaca, sendo que essa associação é, provavelmente, tempo-dependente. Como limitação do estudo, vale ressaltar que o design adotado é observacional, então, não é possível definir causalidade nos resultados, mas sim uma associação entre uso de estatina e redução de morbidade na insuficiência cardíaca. Além disso, o histórico familiar de neoplasias não foi avaliado no estudo e pode ter sido um fator de confusão. 

 

 

Referências: 

– Statin use is associated with lower cancer risk and related mortality in patients with heart failure”, by Qing-Wen Ren et al. European Heart Journal. doi: 10.1093/eurheartj/ehab325

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