Estudo com mais de 6.100 pacientes indica que margens cirúrgicas maiores que 1cm associam-se à melhor sobrevida no carcinoma de células de Merkel

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As recomendações atuais sobre o tamanho das margens de excisão local para essa neoplasia não foram estabelecidas  

O carcinoma de células de Merkel (CCM) é um câncer de pele raro e agressivo, do tipo neuroendócrino, com uma incidência crescente e estimativa de 3.000 casos por ano nos EUA. Dada a sua raridade, há escassez na literatura quanto a recomendações específicas para o tamanho da margem da excisão local.  

Em março de 2021 foi publicado no JAMA Dermatology um grande estudo de coorte retrospectiva e multicêntrico que avaliou se as margens amplas na excisão local e radioterapia adjuvante estão associadas ao ganho de sobrevida global (SG) em pacientes com CCM localizado.  

Foram utilizados registros do National Cancer Database para identificar indivíduos adultos com CCM estadios I ou II localizados que foram submetidos à excisão local entre 1º de janeiro de 2004 e 31 de dezembro de 2015. Foram avaliados 6.156 pacientes (idade mediana no momento do diagnóstico: 77; 2.500 mulheres [40,6%]).  

Na análise de regressão multivariável, as margens de excisão local maiores do que 1,0cm foram associadas a ganho de SG (HR 0,88; IC 95% 0,81-0,95; P < 0,001) em comparação com as margens de 1,0cm ou menores, independentemente do sítio do tumor. Aos cinco anos após a cirurgia, as margens ≤ 1,0cm foram associadas à taxa de sobrevida de 76,7%, enquanto as margens maiores do que 1,0cm associaram-se à 89,8% (P <0,001). 

A estratificação das margens em três subgrupos indicou que aquelas entre 1,1 e 2,0cm (HR 0,87; IC 95% 0,76-0,99; P = 0,047) e maiores do que 2,0cm (HR 0,84; IC 95% 0,72 – 0,98; P = 0,03) foram superiores em SG versus margens ≤ 1,0. Entretanto, não houve benefício de SG na comparação de margens entre 1,1cm e 2,0cm versus margens maiores do que 2,0 cm. 

 Nos pacientes com doença menos agressiva (ou seja, indivíduos imunocompetentes, com tumores de até 1cm, sem invasão linfovascular e margens patológicas negativas), as margens de excisão local maiores do que 1,0cm também foram associadas a ganho de SG (HR 0,87; IC 95% 0,78 – 0,97; P = 0,01). 

Entre os pacientes que receberam radioterapia adjuvante, margens amplas foram associadas à melhor SG (HR 0,87; IC 95% 0,76 – 0,98; P = 0,03). A radioterapia adjuvante também foi associada ao ganho de SG nos três subgrupos de margens avaliadas para excisão local. Além disso, indivíduos que receberam radioterapia adjuvante e tiveram margens ≤ 1,0cm (HR 0,81; IC 95% 0,74 – 0,89; P < 0,001) experimentaram SG comparável àquela de pacientes que não receberam radioterapia adjuvante e tiveram LE margens maiores que 1,0cm (HR 0,80; IC 95% 0,71 – 0,89; P = 0,87) 

 Os autores concluem que, nesse estudo, as margens de excisão local maiores do que 1,0cm foram associadas a ganho de SG, independentemente do sítio do tumor, radioterapia adjuvante, margens patológicas positivas ou características patológicas adversas para os estadios I e II do CCM. Pacientes com margens maiores de 1,0cm ou menores e que receberam radioterapia adjuvante apresentaram SG semelhante à dos pacientes com margens maiores sem radioterapia. Assim, a combinação de margens clínicas maiores que 1cm e radioterapia adjuvante foi associada com maiores taxas de sobrevida. 

 Referências:  

  1. Andruska N, Fischer-Valuck BW, Mahapatra L, et alAssociation Between Surgical Margins Larger Than 1 cm and Overall Survival in Patients With Merkel Cell Carcinoma. JAMA DermatolPublished online March 24, 2021. doi:10.1001/jamadermatol.2021.0247
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