Ixazomibe em combinação com lenalidomida e dexametasona no tratamento do mieloma múltiplo recidivado/refratário

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Neste vídeo, Dr. Roberto Magalhães, Hematologista da UFRJ, Responsável Técnico do Grupo de Hematologia e Transplante de Medula de Niterói (GHTN), comenta sobre a inclusão no Rol da ANS, de uma combinação importante para pacientes com mieloma múltiplo recidivado e refratário e que receberam de 1-3 linhas de tratamento prévio, que é a combinação de ixazomibelenalidomida e dexametasona

 

A partir dos dados de eficácia e segurança do estudo TOURMALINE 1, um estudo de superioridade, internacional, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, multicêntrico, de fase 3, o ixazomibe em combinação com a lenalidomida e a dexametasona foram aprovados para uso clínico, tanto pelo FDA quanto pela ANVISA, em pacientes com mieloma múltiplo recidivado e/ou refratário, que haviam recebido pelo menos um tratamento anterior. 

Este estudo randomizou um total de 722 pacientes na proporção de 1:1 para receber a combinação de ixazomibe, lenalidomida e dexametasona (IRd) (N=360) ou placebo, lenalidomida e dexametasona (Rd) (N=362) até a progressão da doença ou toxicidade inaceitável. O estudo demonstrou vantagem em termos de sobrevida livre de progressão com a adição do ixazomibe na combinação de Rd. A mediana de SLP para o grupo IRd foi de 20,6 meses e para o grupo Rd de 14,7 meses (HR 0,74 [IC 95% 0,58-0,93] p=0,012), ou seja, uma redução do risco de progressão da doença de cerca de 36%.  

Dr. Roberto ressalta que esta combinação de medicamentos é importante devido aos seus mecanismos de ação sinérgicos, tendo um efeito considerável contra o mieloma múltiplo. A ação de um inibidor de proteassoma em conjunto com a imunomodulação promove este efeito. Outro fator importante a ser considerado, é o fato de que ixazomibe é um inibidor de proteassoma oral, permitindo então que a combinação de IRd  proporcione a possibilidade de tratamento completamente oral para o paciente recidivado, algo que traz uma comodidade importante para o paciente.  

Outro fator considerável, é o perfil de segurança do ixazomibe. Cerca de 40-50% dos pacientes com mieloma múltiplo são frágeis e de maior idade, além de serem pacientes com comorbidades. O ixazomibe tem um perfil de segurança consideravelmente melhor, quando comparado a outros inibidores de proteassoma, como bortezomibe e carfilzomibe, que apresentam maior incidência de efeitos adversos como, neuropatia periférica e toxicidade renal. Já o ixazomibe apresenta efeitos adversos menos graves, como eventos gastrointestinais e rash 

O especialista também comenta sobre o sequenciamento do tratamento do paciente com mieloma múltiplo na recidiva e refratariedade. Sabe-se que existem muitos fármacos e muitas combinações possíveis, então, como escolher a melhor estratégia terapêutica? O especialista cita o exemplo de um paciente tratado em primeira linha com o esquema de daratumumabe em combinação com bortezomibe/melfalano/prednisone (D-VMP), um esquema fixo e com daratumumabe contínuo. Quando o paciente tem a primeira recidiva, o médico sabe que este paciente é naive para medicamentos imunomoduladores, e exposto por um tempo fixo a um inibidor de proteassoma. Portanto, este é um perfil de paciente elegível para a combinação de ixazomibe com lenalidomida e dexametasona.  

Referências:  

  1. Moreau P,MassziT, Grzasko N, et al. Oral Ixazomib, Lenalidomide, and Dexamethasone for Multiple Myeloma. N Engl J Med. 2016;374(17):1621-1634. 
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