Melhor abordagem sequencial com imunoterapia e terapia alvo em pacientes com melanoma metastático BRAF V600 mutado

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O tratamento do melanoma com mutação BRAF mudou dramaticamente com a incorporação da terapia alvo e da imunoterapia. A melhor sequência terapêutica nessa população de pacientes foi destaque na ESMO 2021 

A terapia alvo demonstrou taxas de resposta mais altas, que podem ser limitadas ao longo do tempo; enquanto a combinação de imunoterapia está associada a taxas de resposta mais baixas, porém sustentadas. A melhor sequência de terapia ainda é uma questão em aberto. Além disso, um curso curto de terapia alvo seguido de imunoterapia demonstra um racional terapêutico que pode ser clinicamente vantajoso.  

Nesse sentido, durante a mini sessão oral do Congresso Anual da ESMO 2021, foram apresentados por Ascierto e colaboradores os resultados do SECOMBIT (NCT02631447), um estudo randomizado, de fase II e de três braços (sem teste comparativo) que avaliou o melhor combo sequencial (ipilimumabe + nivolumabe ou encorafenibe + binimetinibe) em pacientes com melanoma metastático BRAF mutado e virgens de tratamento.  

De novembro de 2016 a maio de 2019, 37 centros em 9 países inscreveram 251 indivíduos com melanoma metastático com mutação BRAFV600 não tratados. Os pacientes foram randomizados 1:1:1 para: 

Braço A: encorafenibe + binimetinibe até progressão de doença, seguido por ipilimumabe + nivolumabe até progressão; 

Braço B: ipilimumabe + nivolumabe até progressão, seguido por encorafenibe + binimetinibe até progressão; 

Braço C: encorafenibe + binimetinibe por 8 semanas, seguido por ipilimumabe + nivolumabe até progressão e, por fim, encorafenibe + binimetinibe até progressão. 

Os esquemas de tratamento foram: encorafenibe 450 mg/dia VO + binimetinibe 45 mg 2x/dia VO; ipilimumabe 3 mg/kg + nivolumabe 1 mg/kg a cada 3 semanas por 4 ciclos, seguidos de nivolumabe 3 mg/kg a cada 2 semanas. 

O desfecho primário do estudo foi a sobrevida global (SG). Os desfechos secundários incluíram a sobrevida livre de progressão total (tSLP), taxa de sobrevida aos 2 e 3 anos, melhor taxa de resposta, duração da resposta e avaliação de biomarcadores. 

 

Resultados 

O desfecho primário do estudo foi alcançado em cada braço com pelo menos 30 pacientes vivos em 24 meses. O acompanhamento médio estimado com o método reverso de Kaplan-Meier foi de 32,2 meses.  

A SG mediana não foi alcançada em nenhum dos braços de tratamento. A taxa de sobrevida aos 2 e 3 anos foi de, respectivamente, 65% e 54% no braço A; 73% e 62% no braço B; e 69% e 60% no braço C.  

A taxa total de SLP aos 2 e 3 anos foi de, respectivamente, 46% e 41% no braço A; 65% e 53% no braço B; e 57% e 54% no braço C. 

Os autores concluem que as taxas de SG e tSLP aos 2 e 3 anos mostraram uma tendência melhor nos braços B e C. A coleta de dados prossegue em andamento a fim de fornecer informações adicionais sobre o benefício de longo prazo das três combinações de tratamento. A análise dos biomarcadores está em andamento. 

 

Referências:  

  1. Ascierto P, et al. “SECOMBIT: The best sequential approach with combo immunotherapy [ipilimumab (I) /nivolumab (N)] and combo target therapy [encorafenib (E)/binimetinib (B)] in patients with BRAF mutated metastatic melanoma: A phase II randomized study” Abstract LBA40. ESMO Congress 2021.  

 

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