Novos mecanismos de ação da eribulina

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Neste vídeo, Dr. Romualdo Barroso, médico oncologista Clínico do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, comenta sobre os novos mecanismos de ação da eribulina, e seu uso no tratamento do câncer de mama metastático

 

A eribulina já é aprovada para o tratamento de pacientes com câncer de mama metastático que tenham recebido previamente 2 ou mais regimes de quimioterapia, incluindo uma antraciclina e um taxano, no cenário adjuvante ou metastático. A eribulina é um análogo sintético da halicondrina B, um produto natural isolado de uma esponja marinha. Esta molécula é um agente inibidor de microtúbulos bastante eficiente, levando a uma parada da mitose das células, e consequente apoptose. Além disso, estudos pré-clínicos demonstram que a eribulina tem um papel na remodelação vascular, e reversão da transição epitélio mesenquimal, e na supressão da migração e invasão celular.  

O uso clínico da eribulina tem como base o estudo clínico, de fase 3, EMBRACE. Este estudo comparou a eribulina à quimioterapia de escolha do investigador em pacientes com câncer de mama localmente recorrente ou metastático, e demostrou ganho de sobrevida (HR 0,81; IC 95% 0,66–0,99; p=0,041), mesmo em linhas tardias de tratamento.  

Dr. Romualdo discute principalmente dados sobre novos mecanismos de ação da eribulina, e estes dados sugerem que utilização desta droga em quadros mais precoces seria vantajosa. Em estudos pré-clínicos, foi visto que a eribulina leva a uma remodelação vascular do tumor, gerando uma perfusão intratumoral aumentada. Em camundongos, o tratamento com eribulina levou a formação de neovasos, principalmente vasos menores, que são mais fisiológicos. Esse efeito não é verificado quando os camundongos são tratados com outro agente inibidor de microtúbulos. 

Além disso, foi também visto que a eribulina tem um papel na reversão do fenótipo de transição epitélio-mesenquimal (EMT). O tratamento in-vitro de células de linhagens de câncer de mama com a eribulina leva a um decréscimo de vários marcadores associados a transformação mesenquimal, o que não acontece em células tratadas com outras drogas controle. O mesmo efeito foi observado em modelos in-vivo, com camundongos. Neste mesmo trabalho, foi mostrado que as células tumorais tratadas com eribulina apresentam uma diminuição de sua capacidade invasiva e metastática. 

Como conclusão, Dr. Romualdo comenta que a eribulina tem sido revisitada, e seus mecanismos de ação hoje compreendem muito mais que seu papel clássico anti-mitótico. A eribulina possui um importante papel na remodelação vascular, diminuindo a hipóxia intratumoral, levando a uma melhora da entrega de drogas, além de aumento da infiltração de linfócitos citotóxicos. Além disso, esta droga também demonstrou reverter o fenótipo de transição EMT para um fenótipo mais epitelial. Sugerindo que o uso cada vez mais precoce da eribulina tenha uma associação com achados de aumento de sobrevida visto nos estudos clínicos de fase 3 e em estudos de vida real. Indo além, Dr. Romualdo comenta que, no algoritmo de tratamento do câncer de mama metastático, principalmente para pacientes triplo negativos, seja incluída a eribulina em segunda linha, sendo que esta prática poderá trazer ganhos interessantes de sobrevida para os pacientes.  

Confira o vídeo para a análise e comentários completos da especialista!  

 

Referências:  

Miyoshi Y, Yoshimura Y, Saito K, et al. High absolute lymphocyte counts are associated with longer overall survival in patients with metastatic breast cancer treated with eribulin-but not with treatment of physician’s choice-in the EMBRACE study. Breast Cancer. 2020;27(4):706-715. doi:10.1007/s12282-020-01067-2 

Ito K, et al., Antitumor effects of eribulin depend on modulation of the tumor microenvironment by vascular remodeling in mouse models. Cancer Sci. 2017 Nov;108(11):2273-2280. doi: 10.1111/cas.13392. Epub 2017 Sep 22. PMID: 28869796; PMCID: PMC5665763. 

Yoshida T, et al., Eribulin mesilate suppresses experimental metastasis of breast cancer cells by reversing phenotype from epithelial-mesenchymal transition (EMT) to mesenchymal-epithelial transition (MET) states. Br J Cancer. 2014 Mar 18;110(6):1497-505. doi: 10.1038/bjc.2014.80. Epub 2014 Feb 25. PMID: 24569463; PMCID: PMC3960630.  

 

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