Pembrolizumabe-GVD no tratamento de segunda linha para linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário

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A alta atividade de pembrolizumabe mais GVD como segunda linha de tratamento para pacientes com linfoma de Hodgkin justifica uma investigação mais aprofundada em estudos prospectivos randomizados

Embora o tratamento de primeira linha para o linfoma de Hodgkin clássico tenha uma alta probabilidade de sucesso, cerca de 25% dos pacientes em estágio avançado, e até 10% em estágio inicial, terão doença recidiva ou refratária. A abordagem padrão para esses pacientes é a terapia de segunda linha, seguida de consolidação com terapia de alta dose e transplante autólogo de células hematopoiéticas (TAD/TCTH). Neste contexto, foi realizado um estudo de fase II avaliando pembrolizumabe mais gemcitabina, vinorelbina e doxorrubicina lipossomal (pembro-GVD) como terapia de segunda linha para linfoma clássico de Hodgkin. 

Dessa forma, pacientes elegíveis ao transplante com a forma refratária ou recidivada da doença, após a terapia de primeira linha, foram tratados com dois a quatro ciclos de pembrolizumabe (200 mg, intravenoso, no dia 1), gemcitabina (1.000 mg/m2 IV, dias 1 e 8), vinorelbina (20 mg/m2 IV, dias 1 e 8), e doxorrubicina lipossomal (15 mg/m2, dias 1 e 8), dados em ciclos de 21 dias. O desfecho primário foi a resposta completa (RC) seguindo até quatro ciclos de pembro-GVD. Pacientes que alcançaram resposta completa por  tomografia por emissão de pósitron (PET scan) após dois ou quatro ciclos, foram encaminhados para terapia de alta dose e transplante de células hematopoiéticas autólogas (TAD/TCTH).  

Dos 39 pacientes que participaram do tratamento, 41% apresentaram doença refratária primária e 38% tiveram recaída em 1 ano após o tratamento de primeira linha. 31 pacientes receberam dois ciclos de pembro-GVD, e oito receberam quatro ciclos. A maioria dos eventos adversos apresentados foram de grau 1 ou 2, enquanto poucos foram grau 3. Os eventos adversos apresentados incluíram transaminases aumentadas (n = 4), neutropenia (n = 4), mucosite (n = 2), tireoidite (n = 1) e erupção cutânea (n = 1). Dos 38 pacientes avaliados, as taxas de resposta global e de RC após o tratamento com pembro-GVD foram de 100% e 95%, respectivamente. Trinta e seis (95%) pacientes seguiram para TAD/TCTH, dois receberam radiação local pré-TAD/TCTH e 13 (33%) receberam manutenção com brentuximabe vedotina pós-TAD/TCTH. Todos os 36 pacientes transplantados estão em remissão em um seguimento mediano pós-transplante de 13,5 meses (intervalo: 2,66-27,06 meses). 

A partir dos dados apresentados, pode-se concluir, portanto, que a terapia combinada de GVD e pembrolizumabe para o tratamento de segunda linha do linfoma de Hodgkin clássico refratário ou recidivado é um regime eficaz. Além disso, também foi observada boa tolerabilidade, sendo que as toxicidades notáveis, incluindo erupção cutânea e transaminite, eram controláveis, reversíveis e resultaram em poucos atrasos ou reduções no tratamento. Por fim, o teste mais importante deste regime será a durabilidade da resposta, e um acompanhamento mais longo é necessário para determinar se as remissões da doença são sustentadas e se os fatores de risco surgem como preditivos do resultado. 

 

Referência: 

Phase II Trial of Pembrolizumab Plus Gemcitabine, Vinorelbine, and Liposomal Doxorubicin as Second-Line Therapy for Relapsed or Refractory Classical Hodgkin Lymphoma (https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/JCO.21.01056?bid=109582496&cid=DM8698)

 

  

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