Em estudo publicado no The Lancet Oncology, dose única do imunizante demonstrou pouca eficácia em pacientes com neoplasias sólidas e hematológicas
Nos últimos meses, a vacinação contra o vírus SARS-Cov-2 tem ganhado espaço ao redor do mundo, porém a eficácia e o perfil de segurança das vacinas em pacientes com câncer ainda não foram completamente compreendidos. Em abril deste ano, o The Lancet Oncology publicou um estudo observacional e prospectivo financiado pelo King’s College em Londres, que tinha como finalidade avaliar a eficácia, a imunogenicidade e o perfil de segurança da vacina BNT162b2 em pacientes com neoplasias, sejam elas sólidas ou hematológicas.
Pacientes de três hospitais de Londres foram recrutados entre 8 de dezembro de 2020 e 18 de fevereiro de 2021. Um total de 151 pacientes com câncer (95 com neoplasias sólidas e 56 com neoplasias hematológicas) foram comparados à 54 controles saudáveis, em sua maioria profissionais da saúde. Os pacientes que foram vacinados entre 08 de dezembro e 29 de dezembro receberam duas doses de BNT162b2 30μg intramuscular (IM) separadas por um intervalo de 21 dias, enquanto os vacinados após essa data receberam apenas uma dose de BNT162b2 30μg IM com o planejamento de novo boost vacinal em 12 semanas.
Os objetivos coprimários do estudo foram definidos como a soro–conversão da proteína de pico (S) para SARS-Cov–2 em paciente com câncer após aplicação da primeira dose da vacina BNT162b2 e o efeito sobre a soro–conversão com boost vacinal 21 dias após a primeira dose.
Como método de avaliação da imunogenicidade vacinal, amostras de sangue foram coletadas antes da primeira dose, três e cinco semanas após. Também é importante destacar que, quando possível, RT PCR em tempo real (rRT-PCR) eram realizados de forma seriada a cada 10 dias ou em caso de pacientes sintomáticos. Devido ao seu planejamento inicial, o estudo ainda não foi finalizado e o seguimento dos pacientes continua, com exames de sangue planejados para pacientes que receberão o boost vacinal apenas em 12 semanas.
Durante a análise de imunogenicidade, após a exclusão de 17 pacientes que foram expostos ao SARS-Cov-2, a proporção de pacientes com teste positivo para anti-S IgG aproximadamente 21 dias após primeira dose vacinal foi 32 (94%; 95% IC 81–98) de 34 controles saudáveis; 21 (38%; 26–51) de 56 pacientes com neoplasias sólidas e 8 (18%; 10–32) de 44 pacientes com neoplasias hematológicas. Desses, 16 pacientes saudáveis, 25 com neoplasias sólidas e seis com neoplasias hematológicas foram submetidos ao boost vacinal no dia 21. Quando avaliados os pacientes que possuíam amostra sanguínea duas semanas após o boost vacinal do 21º dia, 18 (95%; 95% IC 75–99) de 19 pacientes com neoplasia sólida, 12 (100%; 76–100) de 12 controles saudáveis e três (60%; 23–88) de cinco pacientes com neoplasias hematológicas apresentaram soropositividade, comparados com 10 (30%; 17–47) de 33, 18 (86%; 65–95) de 21 e quatro (11%; 4–25) de 36, respectivamente, que não receberam o boost vacinal no 21º dia.
É importante ressaltar que a vacina foi bem tolerada e apresentou um perfil de segurança adequado entre todas as populações. Em relação aos efeitos colaterais, o mais relatado foi dor no local da inoculação e nenhuma morte relacionada a vacina foi descrita nesse estudo.
Apesar de alguns vieses relatados pelos autores, foi possível concluir que a dose única da vacina BNT162b2 se correlaciona com pouca eficácia em pacientes com câncer e que a imunogenicidade aumenta significativamente após duas semanas do boost vacinal no 21º dia em pacientes com neoplasias sólidas. Dados como esses reforçam a importância de priorizar pacientes com neoplasias, sejam elas sólidas ou hematológicas, para a aplicação do boost vacinal no 21º dia.
Referências:
[1] Monin L, Laing AG, Muñoz-Ruiz M, McKenzie DR, del Molino del Barrio I, Alaguthurai T, et al. Safety and immunogenicity of one versus two doses of the COVID-19 vaccine BNT162b2 for patients with cancer: interim analysis of a prospective observational study. The Lancet Oncology 2021:S1470204521002138. https://doi.org/10.1016/S1470-2045(21)00213-8.
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