O estudo TROPION-LUNG01, apresentado recentemente na European Lung Cancer Conference (ELCC®), trouxe atualizações significativas no tratamento de câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) em segunda linha. Confira a análise dos resultados pelo Dr. Marcelo Corassa, médico oncologista e pesquisador Clínico na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Os dados de qualidade de vida relacionados à saúde (HRQoL) do estudo TROPION-Lung01 reforçam os benefícios clínicos do uso do datopotumabe deruxtecano (Dato-DXd) em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC). No estudo de fase 3 apresentado no ELCC 2025, foram incluídos 468 pacientes com CPNPC (estádio IIB/C ou IV) previamente tratados prévio com platina e imunoterapia, randomizados para receber datopotamabe deruxtecano (Dato-DXd) ou docetaxel.
No vídeo, o Dr. Marcelo Corassa comenta que, o estudo demonstrou um benefício modesto em termos de sobrevida livre de progressão (PFS) para o datopotamabe deruxtecano e não houve um ganho significativo na sobrevida global (OS).
O Dr. Corassa destaca que pacientes com alterações genômicas acionáveis demonstraram uma resposta mais favorável ao tratamento, enquanto os pacientes escamosos e aqueles sem alterações genômicas acionáveis não mostraram benefícios substanciais. No entanto, o especialista enfatiza que, quando analisados os resultados de qualidade de vida, os dados foram mais promissores. O braço que recebeu datopotamabe deruxtecano apresentou melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes, especialmente no alívio da dispneia em repouso (HR 0,56; IC 95%: 0,35-0,89), dispneia geral (HR 0,61; IC 95%: 0,44-0,85), neuropatia periférica (HR 0,35; IC 95%: 0,23-0,53), funcionamento físico (HR 0,57; IC 95%: 0,38-0,86), funcionamento social (HR 0,66; IC 95%: 0,44-0,98), dor (HR 0,55; IC 95%: 0,37-0,82) e diarreia (HR 0,43; IC 95%: 0,25-0,74) em comparação com grupo que recebeu o tratamento com docetaxel.
Além disso, o Dr. Corassa explica que o estudo apresentou superioridade do datopotamabe deruxtecano em termos de efeitos adversos. Embora o uso do anticorpo-conjugado seja frequentemente questionado devido à sua toxicidade, ele observa que o datopotamabe deruxtecano demonstrou um perfil mais favorável em termos de efeitos colaterais, com uma melhor tolerabilidade geral. O especialista comenta que pacientes que utilizaram essa terapia apresentaram melhora no funcionamento físico, nas atividades do dia a dia e na função cognitiva e emocional, aspectos cruciais na vida de pacientes com câncer de pulmão metastático.
Em resumo, o Dr. Corassa afirma que os oncologistas devem considerar o datopotamabe deruxtecano como uma opção terapêutica viável na segunda linha de tratamento para pacientes com câncer de pulmão não escamoso e com alterações genômicas acionáveis. Embora os dados de sobrevida global não sejam tão impactantes quanto o esperado, os benefícios em termos de qualidade de vida, a menor incidência de efeitos adversos graves e a possível melhora no manejo dos sintomas são elementos chave para a escolha desse tratamento. A decisão, segundo ele, deve sempre ser individualizada, considerando os aspectos clínicos e os perfis de toxicidade, mas sem dúvida, essa terapia tem um papel promissor no tratamento de CPCNP avançado. Acesse e confira o conteúdo completo!
Referência: TROPION. Effects of datopotamab deruxtecan (Dato-DXd) vs docetaxel on patient-reported outcomes (PROs) in adults with previously treated advanced or metastatic non squamous (NSQ) non-small cell lung cancer (NSCLC): Results from TROPION-LUNG01.Disponível em: https://cslide.ctimeetingtech.com/coasis_21204/attendee/confcal/session/calendar/2025-03-28?q=TROPION.
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