Estudo ENZAMET: enzalutamida em primeira linha para câncer de próstata metastático

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Os inibidores de receptor de androgênio são uma importante classe de medicações no tratamento do câncer de próstata. A enzalutamida é um desses fármacos e sabidamente prolonga a sobrevida de pacientes com doença metastática resistente à castração. O estudo ENZAMET, que investigou seu uso na doença sensível à castração, em primeira linha, foi um dos trabalhos selecionados para apresentação oral durante a Sessão Plenária do ASCO 2019, congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que ocorreu de 31 de maio a 04 de junho, em Chicago (EUA).

Apresentado pelo Dr. Christopher Sweeney, o estudo foi comentado pelo Dr. Manuel Maia, oncologista clínico do Centro de Oncologia do Paraná e membro do LACOG, para a Oncologia Brasil (veja no vídeo deste post). O oncologista lembrou que todos pacientes selecionados receberam terapia de privação androgênica (androgen deprivation therapy – ADT) e foram randomizados para o braço de enzalutamida ou para o braço de antiandrogênicos clássicos (bicalutamida, nilutamida, flutamida). Ele destacou também que cerca de 45% dos pacientes incluídos receberam docetaxel concomitante ao tratamento com antiandrogênico periférico, já que o estudo incluía pacientes com baixo e alto volume de doença, um importante dado a ser levado em consideração na análise dos resultados desse trabalho.

O estudo foi positivo para seu desfecho primário de sobrevida global (SG), com taxas estimadas de SG em 3 anos de 80% vs. 72% para os grupos de enzalutamida e controle, respectivamente (HR 0,67; IC 95% 0,52-0,86; p = 0,002). O Dr. Manuel ressaltou que esse dado traz definitivamente a enzalutamida para o tratamento do câncer de próstata metastático sensível à castração (CPSCm), cenário em que o próprio docetaxel e a abiraterona já mostravam eficácia. Quanto à quimioterapia, o médico lembrou que os dados apresentados pelo Dr. Sweeney mostravam uma eficácia menor de enzalutamida para o subgrupo de pacientes que usara docetaxel concomitante, sem grande benefício em SG, apesar do benefício mantido em sobrevida livre de progressão radiológica.

O Dr. Manuel reiterou ainda a importância de se levar em consideração não só esses dados, mas também os perfis de toxicidades das diversas medicações aprovadas para CPSCm, ao se fazer a escolha de qual linha de tratamento usar nesse cenário. Uma vez que não há, até o momento, comparação direta entre as variadas alternativas aprovadas em primeira linha, a escolha da melhor medicação para se iniciar o tratamento do CPSCm ainda depende, em grande parte, do critério clínico e da experiência do oncologista, e a individualização da terapia conforme particularidades dos pacientes se faz rotineiramente necessária.

Estudo ENZAMET.

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