Estudo FLAIR: ibrutinibe mais rituximabe é superior a FCR em pacientes com LLC previamente não tratados

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Neste vídeo, Dr. Angelo Maiolino, Professor de Hematologia da UFRJ e Coordenador de Hematologia do Americas Oncologia do Rio de Janeiro, comenta os dados do estudo FLAIR, demonstrando que a terapia com ibrutinibe mais rituximabe alcançou uma SLP superior à terapia com FCR em pacientes com LLC previamente não tratados

A quimioimunoterapia atualmente mais efetiva contra a leucemia linfoide crônica (LLC) é a combinação de fludarabina com ciclofosfamida e rituximabe (FCR). O ibrutinibe é o primeiro inibidor da tirosina quinase de Burton aprovado para LLC com resultados promissores.  

O estudo FLAIR, de fase III, multicêntrico randomizado e controlado para pacientes com LLC previamente não tratada. Pacientes com mais de 75 anos ou com > 20% de células com exclusão de 17p foram excluídos do ensaio. 771 pacientes foram randomizados 1:1 para receber 6 ciclos de FCR (como controle) ou ibrutinibe + rituximabe (IR). Os desfechos primários foram a obtenção da sobrevida livre de progressão, com os secundários sendo obtenção de sobrevida global, resposta a terapia, segurança e toxicidade.  

Um total de 771 pacientes foram randomizados (385 para FCR e 386 para IR). 73,3% eram do sexo masculino, a idade mediana era de 62 anos (33,6%> 65 anos) e 45,1% estavam no Estágio Binet C. Os dados de IGHV estavam disponíveis para 728 (94,4%) pacientes com 53,2% de IGHV não mutado (≥98% de homologia com a linha germinativa), 40,5 % IGHV mutado e 6,3% subconjunto 2. O teste de FISH hierárquico revelou 0,4% 17p del, 15,4% 11q del, 12,3% trissomia 12, 29,7% normal e 35% 13q del; com 7,1% falhando. Os braços estavam bem balanceados para as variáveis da doença, sem diferenças significativas. O acompanhamento mediano foi de 52,7 meses. Com relação aos resultados, IR teve uma SLP superior em comparação com FCR (SLP mediana não alcançada para IR versus 67 meses para FCR; HR: 0,44; p <0,001). Não houve diferenças significativas envolvendo a sobrevida global (HR= 1,01; P=0,956), com 29 pacientes indo a óbito no braço do FCR e 30 no braço do ibrutinibe. A segunda linha terapêutica foi iniciada em 59 pacientes do braço controle e em 21 pacientes do braço que recebeu ibrutinibe e rituximabe. 

Houve uma melhora do perfil de toxicidade e segurança, com os eventos adversos graves sendo menores em alguns órgãos e sistemas no grupo do IR (53,7% vs 53,4%). A incidência de infecções foi menor (33,6% vs 27,1%), assim como a de eventos hematolinfáticos (19,8% vs 10,7%). Porém, houve aumento expressivo da ocorrência de cardiotoxicidade, com 1,1% vs 8,3%. 

Um ponto relevante acerca da segurança é que nenhum dos pacientes que tiveram evento de morte súbita no grupo FCR tinham condições cardíacas ou história de hipertensão arterial previamente diagnosticadas. Acerca dos resultados, 6 pacientes tinham outra neoplasia hematológica secundaria no grupo controle enquanto apenas 1 paciente no grupo IR a tinha. 

A partir dos dados apresentados neste estudo, pode se concluir que ibrutinibe mais rituximabe resultou em uma SLP superior em comparação com FCR, atingindo assim seu desfecho primário. No vídeo, Dr. Angelo faz uma análise detalhada dos dados do estudo. Vale a pena assistir e conferir o conteúdo completo!

Referências: 

  1. 642 – Peter Hillmen et al., Ibrutinib Plus Rituximab Is Superior to FCR in Previously Untreated CLL: Results of the Phase III NCRI FLAIR Trial
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