Estudo POLO: olaparibe de manutenção para câncer de pâncreas metastático

2 min. de leitura

Chicago (EUA) – O câncer de pâncreas metastático (CPm) mantém-se como uma doença associada a prognóstico reservado e altas taxas de mortalidade, com poucas opções terapêuticas e de limitada eficácia. Pacientes com câncer de pâncreas que apresentam mutações germinativas em BRCA1 e BRCA2, genes associados à via de recombinação homóloga, são uma população de interesse para estudos, uma vez que diversas moléculas que têm como alvo essa via já se encontram disponíveis para uso clínico.

É o caso do estudo de fase III POLO, que avaliou a eficácia de uma dessas moléculas, o olaparibe, inibidor da poli(adenosina difosfato–ribose) polimerase (PARP), em pacientes com CPm que não apresentaram progressão durante quimioterapia padrão baseada em platina em primeira linha. Os resultados foram apresentados no ASCO 2019, congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que ocorre de 31 de maio a 4 de junho, em Chicago (EUA), e reúne mais de 40 mil especialistas e pesquisadores em oncologia e hematologia.

No estudo apresentado, o olaparibe foi utilizado como tratamento de manutenção, em dose de 300 mg, duas vezes ao dia, e comparado com placebo, em um desenho duplo-cego. Foram randomizados 154 pacientes, em razão 3:2, sendo avaliada como desfecho primário a sobrevida livre de progressão (SLP).

A SLP foi significativamente maior no grupo de olaparibe, com medianas de 7,4 meses contra 3,8 meses do braço de placebo (HR 0,53; IC 95% 0,35-0,82; p = 0,004). A análise interina de sobrevida global não mostrou diferença entre os grupos avaliados (18,9 vs. 18,1 meses), mas dados finais ainda são aguardados.

A qualidade de vida dos pacientes em tratamento foi similar entre os pacientes dos dois braços do estudo, mas houve uma maior incidência de eventos adversos graus 3 ou superior na população que recebeu olaparibe (40% vs. 23%), e 5% dos pacientes em uso do inibidor de PARP suspenderam tratamento devido a eventos adversos, em contraste com 2% daqueles no grupo do placebo.

Esses resultados colocam o olaparibe como potencial opção para terapia de manutenção em pacientes com CPm e mutações germinativas em BRCA1 ou BRCA2, apesar de os dados de sobrevida global ainda não serem maduros para permitir uma análise final. O estudo foi publicado, simultaneamente à sua apresentação no congresso, no New England Journal of Medicine (https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1903387).

Send this to a friend