Estudo POLO: olaparibe em câncer de pâncreas metastático

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A Dra. Hedy Kindler, professora da Universidade de Chicago, começou sua apresentação na Sessão Plenária do ASCO 2019, congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, lembrando aos presentes o quão difícil ainda é tratar o câncer de pâncreas, apesar dos inúmeros avanços médicos dos últimos anos. Os pacientes acometidos pela doença metastática têm sobrevida mediana menor do que um ano, mesmo com os melhores tratamentos quimioterápicos disponíveis atualmente. No entanto, 4% a 7% desses pacientes apresentam mutações germinativas nos genes BRCA1 ou BRCA2 e são potenciais candidatos a tratamento com inibidores de PARP, e foi pensando nisso que o estudo de fase III POLO, tema da apresentação da médica, foi desenhado.

A oncologista comentou os resultados desse trabalho para a Oncologia Brasil (confira o vídeo neste post) durante o congresso em Chicago (EUA), que ocorreu de 31 de maio a 04 de junho. O estudo randomizou pacientes com câncer de pâncreas metastático, que tivessem mutações germinativas nos referidos genes, para tratamento com olaparibe ou placebo, desde que houvessem recebido quimioterapia prévia baseada em platina, sem apresentarem progressão de doença. O inibidor de PARP foi usado como terapia de manutenção, na dose de 300 mg, duas vezes ao dia, buscando-se superioridade em sobrevida livre de progressão (SLP) como desfecho primário.

Os dados, publicados no NEJM concomitantemente à apresentação oral da Dra. Kindler (acesse o artigo pelo link:
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1903387), revelaram um pronunciado ganho em SLP, com medianas de 7,4 meses para o grupo de olaparibe contra 3,8 meses para o grupo de placebo (HR 0,53; IC 95% 0,35 a 0,82; p = 0,004). Após 6 meses de seguimento, pelo menos duas vezes mais pacientes encontravam-se sem progressão de doença usando olaparibe do que aqueles em uso de placebo, enfatizou a médica. Além disso, a oncologista destacou a expressiva duração de resposta do braço experimental: nos 23% de pacientes com respostas parciais ou completas, a mediana dessa duração foi de mais 2 anos, um ganho sem precedentes no tratamento do câncer de pâncreas metastático.

Para a Dra. Kindler, esse importante benefício, somado a uma toxicidade manejável e a uma boa qualidade de vida dos pacientes com o tratamento, coloca a terapia de manutenção com olaparibe, após quimioterapia com platina, como novo tratamento padrão para esse cenário. Com isso, o câncer de pâncreas metastático com mutações germinativas em BRCA1/2 passa a ter um novo racional de tratamento, o qual finalmente traz essa neoplasia recalcitrante para a era da oncologia de precisão.

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