Quimioterapia de indução como novo tratamento padrão para carcinoma de nasofaringe

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Chicago (EUA) – A utilização de gencitabina e cisplatina em neoplasias de nasofaringe é padrão para pacientes com doença metastática. No entanto, seu uso com quimioterapia de indução, nunca estudado previamente, foi tópico de importante estudo apresentado no primeiro dia do ASCO 2019, que ocorre de 31 de maio a 4 de junho, em Chicago.

Conforme discutido pelo Dr. Jun Ma na sessão de apresentações orais sobre câncer de cabeça e pescoço, o estudo recrutou 480 pacientes com carcinoma de nasofaringe não metastático, estádios III-IVB, à exceção daqueles com doença T3-4N0. Esses pacientes foram randomizados para receberem somente a terapia padrão com radioterapia (RT) e cisplatina concomitante ou para três ciclos de quimioterapia (QT) de indução com cisplatina 80 mg/m2 (D1) e gencitabina 1 g/m2 (D1 e D8) – esquema GP – previamente ao tratamento definitivo com QT e RT.

Apenas 39,7% dos pacientes no grupo de QT de indução completaram o tratamento com cisplatina concomitante a RT, comparados a 74,7% dos pacientes no grupo da terapia padrão. Ainda assim, mais de 90% dos pacientes em ambos os grupos completaram pelo menos 2 ciclos de cisplatina durante RT e o estudo mostrou um ganho robusto em sobrevida livre de recorrência com 85,3% dos pacientes do braço de QT de indução sem recorrência locorregional ou à distância em três anos, em comparação a 76,5% no grupo do tratamento padrão (HR 0,51; IC 95% 0,34-0,77; p = 0,001).

Houve também significativo ganho em sobrevida global, favorecendo o braço experimental: 91,1% vs. 84,4% de pacientes vivos em três anos (HR 0,43; IC 95% 0,25-0,73).

Os pacientes no braço do esquema GP apresentaram maior toxicidade, principalmente hematológica e gastrointestinal, porém não houve grande diferença entre os grupos em relação a eventos adversos mais graves e a taxa de aderência ao tratamento foi alta independentemente do tratamento recebido.

O Dr. Jun Ma ressaltou que, com ganho importante e toxicidade manejável, essa estratégia deve configurar, a partir de agora, como nova possibilidade de tratamento padrão para pacientes com carcinoma de nasofaringe localmente avançado.

O estudo teve publicação simultânea no New England Journal of Medicine.

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