Terapia CAR T–cell Anti-CD19 foi permitida para linfoma folicular (LF) refratário ou reincidente(R/R)
Em 5 de março, FDA (Food and Drug Administration) americano concedeu a aprovação provisória ao axicabtagene ciloleucel, terapia do receptor quimérico de antígeno de células T para o biomarcador CD-19 (CAR T-cell Anti-CD19), presente em determinadas neoplasias linfáticas, tais como os linfomas foliculares.
O ZUMA-5 (DOI: NCT03105336) foi responsável pelos achados que levaram a essa aprovação.
Ele pode ser classificado como clínico de fase II, intervencionista, não-controlado, aberto, prospectivo, analítico. Todos os pacientes sabiam que receberiam a droga como princípio ativo e a análise dos resultados foi realizada por um comitê independente.
A população do estudo foi composta por um grupo de 96 adultos maiores de 18 anos, de ambos os sexos (49%M/51%F) — 52% tinham doença em estágio IV — com linfoma folicular, reincidente ou refratário, ou linfoma de zona marginal (LZM) estadiado de 1 até 3a, que já haviam passado por ao menos duas linhas de tratamento, incluindo o uso conjunto de anticorpos monoclonais (mAb) anti-CD20 e agentes alquilantes. A aplicação da droga aprovada foi em infusão única 2 × 106 CAR T cells/kg por via intravenosa, após QT com ciclofosfamida e fludarabina, ambas IV.
O estudo obteve bons resultados, ainda que com múltiplos efeitos colaterais à administração do axi-cel. Considerando o LF e LZM, houve uma taxa de resposta objetiva (TRO) de 93% (IC 95%, 86–97), 80% (IC 95%, 77–88) atingiram remissão total. Para os pacientes com LF, os resultados foram ainda melhores, de 95% de TRO, 81% obtiveram remissão completa. A sobrevida livre de progressão média foi de 23,5 meses (IC 95%, 22.8 – ) e a sobrevida em 12 meses foi de 94,3% (IC 95% , 86.8 – 97.6). Vale ressaltar que a avaliação da resposta completa e parcial seguiram a classificação de Lugano (Cheson et al, 2014).
Ainda que os resultados sejam promissores, há uma gama de efeitos colaterais digna de descrição. Evidenciou-se que neurotoxicidade e tempestade de citocinas foram comuns em, respectivamente 19% e 11%, com duração entre seis e 15 dias. Alguns achados foram mais especificados, tais como febre, encefalopatia, taquicardia, hipoxia, tosse, constipação, cefaleia, neutropenia febril, hiporexia, mialgia, hipotensão, vômitos e tontura.
Pode-se valorar, pois, que o axi-cel demonstrou altas taxas de remissão parcial e completa, com sólidos e relevantes benefícios. Apesar de ter proporcionado resultados promissores e dignos de expectativa, estudos maiores e de metodologia mais rígida são necessários para que possamos aumentar a confiabilidade e, dessa forma, estabelecer o registro permanente. Ainda que esses se façam necessários e intrínsecos ao processo de validação farmacológica, há razões para vislumbrarmos uma terapêutica eficiente futura. O registro definitivo e utilização clínica ampla será possível por meio de estudos com maior grau de evidência científica, os quais se fazem válidos e relevantes face a resultados preliminares tão promissores.
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