Destaques de câncer de mama ASCO 2019

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Importantes estudos relativos a avanços no tratamento do câncer de mama foram comentados pelo Dr. Sérgio Simon, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), diretamente do ASCO 2019, congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que ocorreu em Chicago (EUA), de 31 de maio a 04 de junho. O médico fez um apanhado dos principais resultados que evidenciaram benefícios para pacientes com esses tumores.

Como destaque, o oncologista comentou sobre trabalho que avaliou a atividade do margetuximabe, um anticorpo monoclonal anti-HER2, como molécula que desencadeia significativas reações de citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos (ADCC, na sigla em inglês). No estudo SOPHIA, a adição desse medicamento à quimioterapia (QT) levou a importantes respostas antitumorais em pacientes com câncer de mama metastático positivo para HER2. Mesmo após múltiplas linhas de tratamento, as pacientes tiveram ganho em sobrevida livre de progressão (SLP) e em taxa de resposta em comparação ao tratamento padrão com QT e trastuzumabe.

Outros dados ressaltados pelo Dr. Simon foram os das atualizações dos estudos IMpassion130 e MONALEESA-7, que tiveram novas análises de sobrevida global (SG) divulgadas durante o congresso. No primeiro estudo, mulheres com câncer de mama triplo negativo metastático receberam tratamento com nab-paclitaxel associado a placebo ou a atezolizumabe, um inibidor de checkpoint imunológico anti-PD-L1. Os novos resultados indicaram um maior benefício para pacientes com expressão de PD-L1 ≥ 1%, com ganho de 7 meses em SG para o braço de imunoterapia nessa população. Apesar disso, dados maduros da análise final de SG ainda são aguardados, para mensuração do benefício real dessa estratégia.

Já o segundo estudo confirmou o benefício da associação de ribociclibe a hormonioterapia para pacientes com câncer de mama positivo para receptores hormonais (RH+)/HER2- na pré-menopausa. O grupo que recebeu o inibidor de CDK4/6 apresentou SG estatisticamente superior à do grupo de placebo, com mediana não atingida vs. 40,9 meses, respectivamente (HR 0,712; IC 95% 0,54-0,95; p = 0,00973). As taxas estimadas para SG em 42 meses foram de 70,2% (ribociclibe) vs. 46% (placebo). Além disso, o médico chamou a atenção para estudo coreano em pacientes com câncer de mama metastático RH+. Com dados mostrando ganho em SLP da combinação de palbociclibe e exemestano em comparação ao braço de quimioterapia com capecitabina, o estudo reforçou o impacto positivo da adição de inibidores de CDK4/6 à hormonioterapia para essa população.

Apesar dos dados animadores, o Dr. Simon alerta para a ainda considerável dificuldade em se conseguir resultados significativos com imunoterapia em tumores de mama de subtipo luminal. Considerados tumores “frios”quanto a sua capacidade de incitar respostas do sistema imune, as neoplasias de mama RH+ foram alvo de estudo de fase II que avaliou a combinação de pembrolizumabe e eribulina no cenário metastático, a qual não gerou ganho em SLP em comparação a QT isolada.

Para o oncologista, esses resultados consolidaram importantes conhecimentos para o tratamento do câncer de mama e reforçaram a ideia de que as novas modalidades terapêuticas com imunoterapia e terapias-alvo de fato “vieram para ficar”.

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